Mostrando postagens com marcador bruxaria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bruxaria. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A Mulher Esqueleto




“A Mulher-esqueleto é uma história de caça a respeito do amor.”
Clarissa Pinkola Estés


“Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais
se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes.

Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade, em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado da sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação
de que a enseada era mal-assombrada.

O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu - logo em que! - nos ossos das costelas da Mulher-esqueleto. O pescador pensou: “Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!” Na sua imaginação, ele já via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar. E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá embaixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas.

O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva
surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava, já havia chegado a superfície e caia suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos.

- Agh! - gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte.
- Agh! - berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou ainda mais assustado pois ela parecia estar em pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia.
Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás.
Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam
como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.

- Aaagggggghhhh! - uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saia correndo agarrado a vara de pescar.
E o cadáver branco da Mulher-esqueleto, ainda preso a linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele. Ele correu pelas pedras, e ela o acompanhou.
Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks.

O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço do peixe
congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava. Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro.
Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é, graças a Raven, é, e também a todo-generosa Sedna, em segurança, afinal.

Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela - aquilo - jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro,
um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um que de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.

- Oh, na, na, na. - Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos.
- Oh, na, na, na. - Trabalhou sem parar noite adentro, até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano.

Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira da sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra - não tinha coragem - para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá embaixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos.

O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava sonhando.
Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem.

A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima a luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo,
e pôs a boca junto a lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu,
bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos.

Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem
que dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte.
Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!... Bom, Bomm!

Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.

- Carne, carne, carne! Carne, carne, carne!
- E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne.
Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas.
Ela cantou para ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficiente
para se enrolarem e dar calor, e todas as coisas de que as mulheres precisam.

Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormia
e se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram, abraçados um ao outro,enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.

As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d'água.
As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem.”


Lenda usada em aula. A mulher-esqueleto e o pescador representam as facetas da mesma pessoa. A mulher esqueleto representa a alma selvagem, esquecida na maior profundeza. O pescador, a consciência. Cada pescador quando se depara com a mulher esqueleto presa nas redes de pesca (poderia até me atrever aqui a utilizar os relatos de Castañeda acerca dos filamentos luminosos que ligam a consciência ao infinito pelo ponto de aglutinação do campo energético humano) se assustam, pois a alma, o esqueleto, está uma bagunça. É o encontro com o desconhecido, e quando o pescador se compadece da mulher-esqueleto, e tira fio por fio os emaranhados, e tenta, na medida do que pode, reconstruir a alma, é o encontro da consciência com a alma, sem temores e compassivo. Tal encontro é um encontro de amor. Quando a consciência toma conhecimento da alma, e supera o medo inicial, e se compadece, é como o encontro do pescador com a mulher esqueleto. O compartilhar de uma lágrima representa exatamente a compaixão, o dividir do sofrimento. E o felizes para sempre da Mulher Esqueleto e do pescador é na verdade o feliz encontro da docilidade da alma com a rigidez da consciência. A troca entre as duas essência é o que traz a anima, a plenitude da vida da Fêmea Selvagem.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Mito de Peixes


Fuçando no site Mistérios Antigos, tem um tópico bacana lá sobre a mitologia e os signos...vale a pena ler...eu tenho a Lua em Paixes, então, tratei de conferir ela, pois como tenho Sol em Escorpião, sou muito regida pelas emoções (Lunar). Bem que eu já imaginava uma ligação forte que eu tenho com a Rainha do Submundo, Perséfone, mas olhe só, eu achava que era pelo aspecto do Sol em Escorpião! (Regente - Plutão, ma mitologia, HADES, o Rei do Submundo)


Segue:

Mitos de Peixes

Existem várias versões para o mito das sereias. A princípio acreditava-se que haviam apenas dois exemplares. Partênope e Lígia. Versões posteriores acrescentam Leucósia como o terceiro elemento. Uma tocava lira, outra cantava e a terceira tocava flauta. Eram jovens de uma beleza sem par e integravam o cortejo da misteriosa Perséfone. Quando Hades, o deus dos infernos raptou Perséfone, as sereias pediram aos deuses asas para que pudessem procurar sua ama em todos os lugares. Há uma versão que Deméter, a mãe de Perséfone, irada com seu rapto, subtraiu as asas das sereias e transformou-as em monstros.

Outra versão conta que Afrodite, enciumada com a beleza de suas concorrentes, transformou-as em sereias ou seja metade mulheres e da cintura para baixo peixes para que nunca pudessem vir a usufruir dos prazeres do corpo.

Como empregadas de Perséfone, agora a rainha dos onfernos, as sereias estavam encarregadas de levar as almas para sua senhora. Ficavam muna ilha do Mediterrâneo aguardando a passagem de barcos com pescadores e marinheiros para depois de enfeitiçá-los com sua beleza e cânticos, as vítimas sucumbissem e, então cumpririam a missão de levar-lhes as almas.

Numa outra versão a sereia se apaixona por um jovem ingênuo. Os dois compartilhavam de mundos completamente diferentes mas para poderem ficar juntos, a sereia depois de analisar todo o sacrifício que deveria fazer propõe ao jovem algumas condições.

Este não poderia perguntar-lhe o verdadeiro nome, não poderia abrir uma caixinha dourada que a mesma guardava em seu armário e nem entrar no quarto dela numa determinada hora. Estas condições só foram respeitadas temporariamente e, transgredindo as solicitações seja por simples curiosidade seja por desrespeito, o encanto quebrou-se e os dois não puderam mais conviver juntos e a sereia partiu para sempre deixando o jovem desolado.

Cada uma das passagens apresentadas tem muitas das características das pessoas que tem a data de nascimento compreendida entre "20 de fevereiro" e "20 de março", ascendente em Peixes ou que tem Netuno como planeta importante no Mapa Natal.

Outros mitos importantes de Peixes são o de Poseidon, o de Tifão e o de Dionísio.

Características de peixes:

Secretos, misteriosos, difíceis de entender, ora alegres, ora tristes, paradoxais, enigmáticos, complexos, apresentam diversas faces para o mundo, conseguem penetrar profundamente no mundo das emoções. A emoções, no entanto quanto mais profundas muitas vezes passam a ter características nebulosas. Muitos conseguem contatar as profundezas do inconsciente. Muitos poetas, romancistas, compositores, músicos e até psicoterapêutas tem este tipo de experiência. Podem até traduzir sentimentos do inconsciente coletivo. Os piscianos são imprevisíveis e tem recursos interiores ilimitados.

Podem ter reações intempestivas, oscilarem de um extremo emocional a outro sem razão aparente. Podem ter o hábito de comerem muito e, outros, praticarem jejum para se purificarem. Tem facilidades para meditar e encontrar muitas das respostas às suas complexas questões através deste meio. Tem imaginação criativa e grande inspiração. Muitos vivem num mundo próprio, a parte, e tem dificuldades para se adaptarem ao mundo concreto das formas. Tem uma grande compaixão estendendo-se até aos animais de qualquer espécie. Tem uma grande ligação com as crianças que pode se dar através de suas fantasias como também devido a facilidade que tem de se adaptarem e de criarem.

Porém, quando se trata da educação de seus filhos tendem a delegar responsabilidade para seus cônjuges. São generosos e defendem sua prole contra qualquer animosidade externa que os ameace. Na relação amorosa não tem limites e muitas vezes assustam a pessoa amada com a imensidão de seus sentimentos sem barreiras. Podem apresentar o lado violento de suas reações emocionais que geram muitos desentendimentos. Às vezes os piscianos projetam suas emoções e conteúdos inconscientes nos outros no sentido de organizarem o mundo caótico em que vivem.

Muitas vezes projetam para se livrarem de coisas que não conseguem por outros meios. Este signo também está muito relacionado ao cinema, a fotografia, aos perfumes, ao carnaval e a todos os tipos de imagens projetadas. Podem se desvincular da realidade do dia a dia que pode parecer-lhes dolorosa e aí encontrarmos os viciados, alcoólatras, marginais, mendigos, usuários de drogas e psicopatas.

O signo de Peixes também nos ensina a usar de forma construtiva nossas intuições, e a buscar a cura através dos sonhos. São grandes curadores e conselheiros. Entendem os sacrificados que como eles também se sacrificam e sofrem. Cabe a eles traduzir a complexidade universal. Pode ser através da física como Einstein ou ajudando a muitos desesperados, doentes e sem rumo como o grande médium Edgar Cayse. São visionários, grandes artistas, excepcionais místicos. São os grandes magos do Zodíaco.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

CONGRESSO PARLAMENTAR INDÍGENA E MULHERES





Achei esse texto e achei pra lá de interessante, fica aqui então, a dica!
Pra ver o site, clica aqui



"A Terra é a nossa mãe. Dela recebemos a vida e a capacidade para viver. Zelar por nossa mãe é nossa responsabilidade e zelando por ela,estamos zelando por nós próprias. Nós, mulheres indígenas, somos manifestações da Mãe -Terra em forma humana.Molestar, destruir, minimizar as manifestações da Mãe- Terra é ir contra a sua natureza, pois na natureza tudo deve fluir, assim como os rios que correm, os mares que enchem e esvaziam, como as cachoeiras que caem, como as pedras que rolam, como os filhotes que nascem e crescem, como a chuva que cai, como as luas que se enchem e vão, como o sol que esquenta e esfria, como a vida humana e animal que brota e transforma-se em húmus para a terra.Ir contra todos esses segmentos é violar o sagrado.A base filosófica de nossas vidas, como mulheres e povos indígenas, nessas 206 nações indígenas brasileiras, com culturas e línguas diferenciadas é o respeito pelo sagrado, pelo que foi criado pela natureza e a mulher faz parte deste sagrado, por isso sua palavra é sagrada, tanto quanto a Terra. E toda a sua cultura e espiritualidade relacionadas ao sagrado humano, deve ser respeitada.

Aqui queremos lembrar as sociedades matriarcais, originais, onde a palavra da mulher era uma força, uma decisão política. Mas o capital, a exploração do homem pelo homem, o egoísmo, a discriminação cultural e filosófica, o poder, a colonização limitaram essa força da mulher. Mas nos últimos dois séculos vemos aqui ou acolá, pipocar um grito estrangulado de uma mulher indígena, um grito estrangulado, mas determinado, como é o caso de alguns desses gritos pelo Brasil afora, resultando nas organizações de base dessas mulheres.E essas mulheres vêm transformado-se em educadoras, reprodutoras, agentes transformadoras da sociedade em que vivem.

Muitas delas como a primeira prefeita no Brasil, a índia Potiguara, enfermeira Iracy Cassiano ( popularmente chamada de Nancy), foi uma vitória no início da década de 90, mas que esbarrou em obstáculos históricos , políticos e culturais, assim como a organização de mulheres indígenas (Grumin) esbarrou, porque ali se formava com seu precioso apoio.A Associação de mulheres indígenas de Manaus foi criada para aglutinar mulheres imigrantes de suas terras originais e que só tinham como opção de trabalho, labutar como empregadas domésticas nas casas dos coronéis ou cair nos prostíbulos ou servir ao tráfico internacional.As aldeadas continuavam a servirem aos militares ou sofrer as violências oriundas das invasões de terras indígenas."

texto ELIANE POTIGUARA

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

De Xamanismo e Ecofeminismo



Esse texto eu encontrei pesquisando na net, e traduzi pra postar aqui. Se tiver algum erro ou dúvida, postem nos comments que eu corrijo!



Ecofeminismo e Xamanismo

por Gloria Fernan Orenstein

O folclore e as culturas estudados/recordados no ecofeminismo são considerados lendas ou mitos, as histórias que fazem parte de tal cultura frequentemente contém lições que nos faria bem se nos dispormos a compreendê-las. É preciso lembrar que procuramos por mais que apenas proteção espiritual, e estarmos sempre cientes dos riscos que envolvem trabalhar com pessoas de poder. Elas costumam ser muito humanas , e, parecido com os não-xamãs, tendem a abusar do poder. Acima de tudo, é preciso parar de banalizar o plano espiritual. Nós devemos praticar tais rituais certos de que seus efeitos são reais e que através deles nos comunicamos diretamente com outros planos. Mais importante que desnudar uma cultura estrangeira e suas posses espirituais, nós devemos começar a contribuir para a sobrevivência delas.
Precisamos começar a estabelecer padrões para a prática do Xamanismo, com o intento de proteger a população do charlatanismo e “new agers”, que nada sabem sobre o plano espiritual, e muito menos sobre consciência humana e psicologia, Os “new agers” não reverenciam exatamentea Terra (eles mais a “estupram” em busca de cristais para serem comercializados), e nem mesmo respeitam o feminismo. Um xamã “new ager” pode facilmente levar um neófito apaixonado e curioso a um estado de sérios danos mentais, ou simplesmente propagar a ignorância, a arrogância e falta de qualquer responsabilidade, que é característico da tagarelação que aparece em tais organizações. É preciso manter em mente que o Xamanismo é tão sério quanto uma cirurgia.
Nós nos permitiríamos ter o cérebro ou o coração operados por alguem não-treinado numa faculdade de medicina? Da perspectiva ecofeminista sobre ética, não devemos nunca esquecer o fato de que a misoginia e o dualismo enraizado na cultura branca-ocidental é responsável pela exploração tanto da Mulher quanto da Natureza. Por outro lado, não precisamos também nos afogar em culpa a ponto de arriscar nossas vidas. Devemos criar uma forma de equilíbrio em que possamos honrar as culturas não-Ocidentias e nós mesmas por todos os benefícios, enquanto mantemos constantemente uma posição crítica diante de toda forma de abuso de poder. Se levarmos as lições do Xamanismo a sério, e se revisarmos a nossa Cosmologia a tempo, se nós praticarmos o ecofeminismo de forma ética, honrado tanto o plano material quanto o espiritual, então, eu espero, que haja verdadeira esperança para que possamos nos curar e curar nossa Terra-Mãe.

Gloria Feman Orenstein é Professora de Literatura Comparativa e Coordenadora do Programa de Estudo de Mulheres e Homens na Sociedade, na Universidade da Califórnia, autora de "Theatre of Marvellous" e co-editora de "Reweaving the World: The Emergence of Ecofeminism" (inédito no Brasil pelo que pequisei, mas que em breve estará na minha coleção!)